a) qual o fundo de comércio da empresa à época da operação;
             Resposta:

                    O assunto "Fundo de Comércio" é algo muito discutido e controvertido. Exigiu deste perito uma extensa e trabalhosa pesquisa em diversas fontes de consulta, para saber o ponto de vista de renomados estudiosos da matéria.

                    Antes da nossa manifestação formal sobre a indagação objeto do quesito, nos permitimos apresentar as seguintes considerações:

1 - Informações Objetivas - Boletim IOB n° 15/85

1.1 - O que é o Fundo de Comércio?
"Fundo de Comércio é o que uma empresa tem de valor acima do seu patrimônio líquido avaliado a preço de mercado.
Como sabemos, o Patrimônio Líquido de uma empresa é a diferença entre seus Ativos e seus Passivos Exigíveis. Mas este Patrimônio Líquido esta sempre expresso em "termos contábeis", ou seja, depende diretamente dos valores contabilizados para cada Ativo e para cada Passivo. E os problemas surgem exatamente em função dos valores dos Ativos, já que se prendem ao custo de aquisição, corrigido ou não.
Só que Fundo de Comércio não é a diferença entre esse Patrimônio Líquido contábil e o valor de negociação do Patrimônio Líquido como um todo. É a diferença entre o Patrimônio Líquido levantado com os Ativos e Passivos todos a preço de mercado e o Patrimônio Líquido conforme seu valor de negociação como um todo.
Representa, então, o "goodwill", o que um Patrimônio Liquido consegue ter de valor, se negociada a empresa como um todo, acima do que seria obtido com a negociação de cada Ativo, individualmente, a preços de mercado."

1.2 - O conceito mais refinado de Fundo de Comércio
Tanto os autores brasileiros quanto os norte americanos, europeus e outros sempre consideraram o Fundo de Comércio como sendo o "algo mais" de uma empresa.
De onde vem esse "algo mais"? Trata-se do seguinte: Uma empresa tem um valor contábil, mas este é preso aos princípios tradicionais de custo de aquisição e outros; tem um outro valor, quando cada Ativo e Passivo é mensurado a seu preço corrente de mercado, mas esta soma algébrica representa o saldo líquido de um amontoado de itens. Mas, no fundo, o que realmente vale uma empresa não é pela soma individual de seus elementos patrimoniais, mas sim pelo que ela é capaz de produzir de lucros.
Ou seja, o verdadeiro valor econômico de uma empresa é aquele que diz respeito à sua capacidade de geração de lucros. Mas, se uma empresa gera lucros em níveis absolutamente normais e razoáveis, quem estaria disposto a pagar por ela mais do que gastaria para montá-la? (estamos admitindo aqui que o tempo para montagem é bastante curto).
Dessa forma, concluímos que haverá alguém disposto a pagar por uma empresa, ou seja, pela aquisição do seu Patrimônio Líquido como um todo, desde que essa empresa esteja sendo capaz de produzir lucros acima do nível normal. Caso contrário, ninguém pagará por ela mais do que o valor de mercado de seus componentes individuais.
Por isso é que se define o Fundo de Comércio como o valor econômico da empresa apenas na parcela que esse valor supera os valores de mercado de seus elementos componentes."

2 - FABIO BESTA - sua obra "La Reggioneria", volume II, página 422
"o valor do aviamento de um negócio singular ou de uma empresa no seu conjunto é essencialmente igual ao valor atual do excesso de lucros que, na hipótese de uma administração normal, dirigida por energias físicas, de vontade e de inteligência normais, comuns, possam ser esperados ou presumidos de capitais investidos efetivamente no negócio ou empresa, sobre os lucros médios que costumam produzir capitais empregados com igual segurança em outros negócios ou empresas similares ou análogos, mas em condições comuns, não privilegiadas."

3 - Prof. Martinho M. Gomes de Ornelas - XV CBC
"Os adeptos da mensuração do Ativo pelo seu valor econômico, ou seja, pelo valor do fluxo futuro de resultado, ou fluxo de caixa, entendem que os Ativos deveriam representar todo o potencial de geração de lucros futuros. Tal entendimento está calcado na mensuração dos Ativos a preço de saída.
A existência de "goodwill", independente dos Ativos serem avaliados pelos seus valores econômicos, denota, simplesmente os limites e as dificuldades de identificação de determinados potenciais dos Ativos de difícil agregação aos mesmos. É uma dificuldade de natureza prática, não teórica.
A questão está na avaliação individual dos Ativos e da empresa como um todo, o que vale dizer que a soma das partes não é igual ao todo, ao empreendimento.
A combinação de determinado conjunto de Ativos, em uma atividade produtiva, gera uma dinâmica de resultados econômicos diferente daquela existente em cada um dos Ativos considerados de per si.
O enfoque mais comum no que se refere à natureza do "goodwill", é o de que o mesmo representa determinado nível de ganhos futuros acima do que se pode assumir como normal para o ramo de negócios, ganhos originários de determinadas condições diferenciadas da empresa, como por exemplo: marcas, tecnologia de ponta, propaganda eficiente, localização geográfica estratégica, alta qualidade gerencial dos gestores, empregados qualificados, relações públicas favoráveis, legislação privilegiando o setor em que atua a empresa, condições monopolísticas, entre outras."

4 - A. KRINGER - Contador - São Paulo (X Congresso Brasileiro de Contabilidade)
"Numa análise final, fundo de comércio é baseado na capacidade de gerar lucros. Sua presença e o seu valor, portanto, baseiam-se nos lucros que excedem um retorno razoável calculado sobre os ativos tangíveis líquidos. Conquanto a substância do fundo de comércio dependa primeiramente dos lucros, certos fatores como o prestígio e o renome do negócio, a propriedade de um nome ou marca, e um passado de operações bem sucedidas por um período prolongado de tempo em uma determinada localidade, também fornecem suporte para a inclusão de um valor intangível ..." (Interpretação - Departamento de Impostos Federais dos U.S.A. - Parecer 59-60).

5 - WILSON MOSCHINI e NIVALDO JOSÉ CASTILHOS SCOTTI - Contadores - Rio Grande do Sul (XIV Congresso Brasileiro de Contabilidade)
"Fundo de Comércio é o conjunto dos elementos que compõem o patrimônio do estabelecimento comercial, como a clientela, o ponto comercial, as instalações, as mercadorias, e o título do estabelecimento. Conquanto seja constituído também de valores materiais, é, porém, visto no seu conjunto, como um bem incorpóreo, exatamente pela presença dos elementos subjetivos, como essencialmente é a clientela."

6 - Prof. José Gomes (Revista Paulista de Contabilidade - nº 464)
"Para os opologistas do fundo de comércio, alguns fatores mais generalizantes, de praticidade mercantil, caracterizam aspectos diversos, dentre os quais podem ser equacionados os seguintes: a) clientela estabelecida, tradicional e contínua; b) oferta de mercadorias de primeira qualidade; c) preços e prazos satisfatórios; d) organização racional do trabalho; e) organização administrativa; f) regime de crédito continuado por parte dos fornecedores; g) equipe de funcionários de real capacidade de trabalho; h) "localização da empresa, loja ou estabelecimento"; i) "concessão de distribuição exclusiva de determinado produto"; j) transações sob regime de monopólio, oligopólio, cartel ou "trust"; k) nome comercial ou industrial amplamente conceituado nos mercados nacional e internacional; l) "know-kow" sobre produto de marca patenteada com alta lucratividade ou "royalties"."

                    Pelo que pudemos observar das considerações acima, o Fundo de Comércio é representado pelos lucros que uma empresa conseguirá obter acima do nível normal das suas operações e são influenciados, entre outras, pelas seguintes características:
    1. marcas;
    2. tecnologia de ponta;
    3. propaganda eficiente;
    4. nome comercial; e
    5. clientela.
                        Estas as características que atribuem ao valor de venda da empresa, uma importância acima do valor do seu Patrimônio Líquido.

                        Em função do acima exposto, não vislumbramos, nos demonstrativos contábeis da empresa, compreendidos entre a sua fundação e a venda das quotas pelo sócio ......., fundamentação para o cálculo do Fundo de Comércio.