AS
CARACTERÍSTICAS DOS CAMPEÕES
O Brasil cansou de ser o país das desculpas, das explicações,
das justificativas, do jeitinho e da esperteza. As pessoas cansaram de
ser enganadas e usadas. Queremos e podemos ter riqueza para todos.
Apesar de todas as nossas riquezas naturais, é chegada a hora de
uma revolução que acabe com o comodismo e crie fartura. Mas
para que a revolução aconteça de verdade, é
preciso que esperemos menos e nos comprometamos mais.
Nosso ritmo é de urgência. Cansamos de ficar deitados eternamente
em berço esplêndido. Depois de cem anos dormindo como a Bela
Adormecida, acordamos querendo recuperar o tempo perdido. Sabemos que evoluir
gradativamente não vai resolver os nossos problemas. O mundo não
vai esperar por nós. Precisamos de guerreiros amorosos, dispostos
a ousar e dar o salto qualitativo, capaz de nos oferecer um país
digno.
Cada vez mais pessoas se dão conta de que a competência é
o único caminho para a realização. Por outro lado,
deixar a administração da própria vida para outra
pessoa é o caminho da escravidão. A dependência é
fatal para a realização individual e coletiva.
Muitos empresários brasileiros ainda insistem em repetir velhas
fórmulas que só funcionavam no passado. Acabam levando a
empresa à falência, porque vendem com prejuízo, não
calculam a entrada e saída de centavos, não ficam atentos
ao fluxo de caixa, ou seja, não administram de acordo com a realidade
atual. Vivem esperando o próximo passo do governo e dos concorrentes
para decidir seus caminhos. Preocupam-se demasiadamente com o faturamento
e se esquecem do mais importante para o sucesso de uma empresa: a sua receita
líquida, que indica o lucro depois da retirada dos impostos e outros
encargos. Os empresários precisam aprender a trabalhar com uma margem
de lucro reduzida, que tende a ser a mesma no mundo inteiro. Na Alemanha,
por exemplo, alguém que exija um desconto de 15% sobre uma mercadoria
será taxado de louco, justamente pelo fato das empresas venderem
com margens de lucro muito pequenas.
Outro aspecto que apresenta uma mudança radical diz respeito ao
comportamento de clientes e consumidores. Hoje, o cliente é rei
e as empresas necessitam encontrar uma forma de oferecer o melhor produto
pelo menor preço. E como se não bastasse a concorrência
nos moldes tradicionais, as empresas ainda têm de lidar com a competição
virtual, motivada pelo excesso de serviços colocados à disposição
do consumidor. Hoje, por exemplo, o dono de um cinema não perde
os seus clientes para o seu concorrente direto, mas sim para as videolocadoras,
TVs a cabo, TVs normais, até mesmo para a violência nas ruas
(medo de sair e ser assaltado, seqüestrado ou atingido por uma bala
perdida).
Todas essas mudanças se constituem em indícios de que somos
a primeira geração da Era do Caos, onde aquilo que era tido
como certo já não vale mais. As três grandes indústrias
que controlavam o comércio de máquinas de escrever passaram
décadas brigando entre si pelo domínio do mercado para, no
final, acabarem sendo preteridas pelo advento do computador.
Não é fácil garantir o “lugar ao sol” em uma economia
cada vez mais globalizada. Nós precisamos ter a ambição
de sermos campeões, porque a memória jamais registra uma
“vice-vitória”. Em 94, o Brasil venceu a Itália na final
e todos gritaram “É Campeão!”. Por outro lado, ninguém
ouviu a torcida italiana gritar “É vice-campeão!”. Para chegarmos
sempre em primeiro lugar, é necessário desenvolver uma mentalidade
de excelência, como acontece no Japão, onde desde os primeiros
anos escolares o indivíduo aprende a importância de “ser o
melhor”.
No Brasil, 70% dos programas de qualidade total implantados nas empresas
são abandonados no meio do caminho, porque o resultado imediato
não surgiu. Esta é uma visão equivocada, porque qualidade
total pressupõe qualidade de vida, qualidade do ser humano, um verdadeiro
processo de quebra de paradigmas e transformação cultural,
algo que demanda tempo e muito trabalho.
O avanço da tecnologia tem contribuído de forma decisiva
para acirramento da concorrência, face à diminuição
dos postos de trabalho. Em contrapartida, há uma exigência
cada vez maior quanto ao nível de capacitação profissional.
Quanto mais habilidades forem desenvolvidas, maior a probabilidade de manter-se
no mercado e assegurar a empregabilidade. Eis as cinco habilidades principais,
apresentadas por empresários e executivos campeões:
1) Velocidade:
É fundamental
ter velocidade, especialmente aquelas pessoas que já passaram dos
30 anos, porque no campeonato do mercado são obrigadas a enfrentar
a concorrência dos jovens, extremamente ágeis e com sede de
aprender;
2) Polivalência:
A exigência de capacitação para o desenvolvimento de
várias atividades não significa o fim da especialização,
mas o início da era dos multi-especialistas. Jô Soares é
um exemplo de profissional polivalente: conhecedor de várias línguas,
humorista, entrevistador, pianista, enfim, um artista completo, preparado
para executar diversas atividades de forma satisfatória;
3) Visão:
O profissional precisa ter visão para enxergar e aproveitar as oportunidades.
Não é necessário ser formado na Sorbonne para desenvolver
esta habilidade, basta estar atento ao mercado, procurando identificar
possíveis ameaças de concorrentes diretos ou indiretos, bem
como vislumbrar momentos favoráveis para investir e crescer.
O presidente norte-americano George Washington dizia que o verdadeiro líder
é aquele que consegue ver a árvore dentro da semente. De
fato, hoje, o maior desafio dos campeões é enxergar nas crianças,
jovens e novos funcionários os gerentes e diretores de amanhã;
4) Capacidade de Realização:
Para ser bem-sucedido, o profissional necessita conhecer profundamente
o seu ramo de atividade e saber o que fazer nos momentos de maior dificuldade.
Da mesma forma, o empresário não pode hesitar na hora de
adotar as medidas necessárias para salvar sua empresa, ainda que
sejam extremamente antipáticas. No caso do negócio ainda
ser apenas um plano, um desejo ou um sonho, há que se lançar
mão de todas as armas para concretizá-lo, mesmo que a princípio
pareça impossível alcançar a meta estabelecida. Muitas
pessoas alegam que não podem realizar seus desejos porque já
estão velhas, mas se esquecem que um dos empresários mais
bem-sucedidos do Brasil, Sr. Roberto Marinho, criou a maior rede de comunicação
do País (Rede Globo) após os 60 anos;
5) Entender de Gente:
Esta é uma habilidade fundamental, porque clientes, funcionários,
fornecedores, chefes, todos são gente. Todos eles são seres
humanos com dois botões: um para ligar e outro para desligar. Assim,
se os seus clientes forem bem recebidos desde a entrada, eles se encantarão
e permanecerão dando preferência aos seus serviços.
Estas cinco habilidades são complementares e cada uma delas desempenha
um papel-chave na composição do perfil do profissional-campeão.
Alguém que possua apenas três delas pode estar certo de que
será demitido, se for funcionário, ou está para falir,
se for acionista. Já uma pessoa que está há
mais de seis meses disponível no mercado (desempregado) não
possui pelo menos três dessas habilidades.
QUATRO
DICAS PARA O SUCESSO
1- O sucesso não
é feito durante o expediente.
Ele é construído a noite, quando você faz um curso,
lê, estuda. Vencer na carreira será conseqüência
deste "esforço". Planejar e realizar os projetos, isto é
fundamental para seu sucesso. E depende de estudo, pesquisa. Hoje
fazer pós graduação já não é
mais um diferencial, e sim uma "obrigação" de qualquer profissional
que está no mercado. Para ser muito bom tem que fazer mais.
Cada vez mais o sucesso está ligado ao processo de aprendizado,
e da educação. Portanto, nunca pare.
2- Aceite ser o pior
aluno da classe.
Fazer um curso do qual não entende muito, não é um
problema e sim uma solução. Pense, no final do curso você
estará dominando um assunto no qual até então, era
um peixe fora d'água. Um profissional de recursos humanos,
fazendo um curso de planejamento financeiro, com certeza se sentirá
inferiorizado, assim como alguém da área de finanças
se sentirá perdido num curso sobre relações humanas.
Não importa, o que conta é que passados seis meses, um ano,
ele agregará muito valor ao seu potencial. Quebre a cabeça
nos trabalhos, não tenha vergonha em perguntar. É desta
forma que se aprende. Melhorar o potencial, é "somar" cada vez mais
capacidades, e isto só adquirido, absorvendo novidades.
3- Aceite ser um tolo.
Quando você faz uma pós, um curso de especialização,
ou seja o que for, mesmo que seus colegas queiram assinar o trabalho que
você fez sozinho, aceite, e faça mais do que o professor pediu.
Surpreenda-o. Aceite pesquisar sozinho, deixe os espertos assinarem,
agregue conhecimento. Se a sua empresa está implantando
um programa de qualidade total, e as reuniões tem de ser fora do
expediente, seja tolo, fique na reunião, não faça
como os espertos, não vá para casa. Cada vez mais dar algo
além do combinado, fará a diferença.
4- Trabalhe com Campeões.
Os campeões, vão te ensinar a ser campeão. Os
medianos vão te ajudar a "quebrar galhos", "apagar incêndios".
O campeão vai exigir que você seja sempre melhor, ele vai
te motivar. Fazer você buscar sempre mais, ser o melhor.
Um importante consultor de marketing sempre fala da importância do
cavalo, ou seja, não adianta você ser um bom jóquei
se está montando um cavalo pangaré. Não
adianta ser só competente. A empresa, o local de trabalho também
que " ter competência", são elas que irão investir
em você, no seu potencial. Seu talento só será
desenvolvido ao trabalhar com os campeões, por isso, não
perca tempo com os "mais ou menos".
*Psiquiatra e Escritor, autor da obra "A Revolta dos Campeões"
(Cortesia: Centro Federal de Tecnológica de Pelotas - RS)